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segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Nem toda bolha é de CO₂: o risco do otimismo exagerado no mercado nacional de cerveja
Ou, se preferirem, uma cervejaria capaz de 1 milhão de litros por mês. Guardemos isto, portanto:
0,1 ponto percentual (p.p.) de mercado = uma cervejaria de 1 milhão de litros por mês
Vocês perceberão adiante, espero, a importância desta reflexão.
O país é praticamente autossuficiente no produto. As exportações representam uma fatia quase desprezível do total, ficando na faixa dos 50 milhões de litros por ano. As importações têm patamar semelhante, também equivalente a 0,4% do total. Os dados podem esconder alguma subnotificação provocada por sonegação de impostos, mas são estatísticas oficiais e detalhadas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
O volume do que se pode chamar de cerveja artesanal, contudo, parece pertencer ao reino da física quântica. Com os dados disponíveis, só pode ser estimado.
A Receita Federal não separa em suas estatísticas a produção industrial da artesanal. Nem revela, por questão óbvia de sigilo fiscal, os volumes que cada companhia produz. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) diz que não monitora o volume de produção, e sim as condições de produção.
A Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) estima que haja 200 cervejarias artesanais, e este número é repetido cegamente por diversos especialistas e pseudoespecialistas cervejeiros porque vem de representantes idôneos, até onde se sabe, do setor. A Abrabe tem em seu quadro de associados 39 empresas, nem todas produtoras de cervejas.
O MAPA concedeu, como já mostrei em reportagem, 232 registros de cervejarias só de 1974 a 2012 - novamente, claro que existe subnotificação, porque nem todos os estabelecimentos já se submeteram ao penoso processo de certificação, que pode durar até cinco anos, como comprovou um cervejeiro carioca. Os dados deste ano ainda não foram fechados, mas apontam uma tendência de queda em relação ao ano passado, que foi o pico, com 31 registros. O MAPA disse que não poderia detalhar quais estão efetivamente produzindo.
Os números de registros foram mínimos nas décadas de 1970 e 1980, mas os dados da produção brasileira tiveram o maior avanço da história, segundo a compilação feita por nós a partir dos dados do grupo Baarth Haas. Isso comprova, por sua vez, como o programa de industrialização dos militares, voltado para a criação de grandes grupos brasileiros, com poder de fogo para disputar mercado internacional, moldou o cenário cervejeiro nacional.
A Receita Federal, por sua vez, informou-me ter registros de 595 estabelecimentos produtores de cervejas e chopes no Brasil, sendo 425 matrizes e 170 filiais. Novamente, a ressalva de que não havia a contabilização de quantas estavam em atividade.
Existe base para supor, portanto, que o número da Abrabe esteja subestimado.
EXERCÍCIO DE CÁLCULO
Noves fora, a mesma associação estima em 0,15% o mercado artesanal, o que representaria algo em torno de 20,5 milhões de litros por ano, média de 8,5 mil litros/mês por cervejaria (considerando o número de 200).
Os números e os nomes dos 65 estabelecimentos produtores inscritos no Sicobe fornece uma outra pista. Deles, apenas 21 não pertencem a alguuma das quatro maiores cervejarias do país. Entre há cerca de dez razões sociais ligadas a cervejarias artesanais de renome. As outras representam cervejarias industriais (fabricantes, normalmente, de standard american lagers) de alcance regional, mais comuns no Nordeste e no Sul.
O Sicobe, obviamente, não capta todas as cervejarias. Existem aquelas que a Receita considera que o custo da instalação do sistema de monitoramento (que inclui as famosas câmeras fotográficas para registro das garrafas na linha de montagem) é maior do que o benefício a ser obtido pela fiscalização.
A única pista, quando perguntei ao auditor da Receita responsável pelo programa de monitoramento da produção de bebidas do país, o Sicobe, foi de que o sistema cobria 99,7% da produção nacional. Assim, teríamos 0,3% que não vêm das "sicobadas", o que corresponde a cerca de 40 milhões de litros.
Considerando que o critério da Receita Federal para instalar o sistema é a economicidade, e o Sicobe abrange pouco mais de 10% do total de registros de unidades produtoras de cervejas, podemos inferir que as produtoras destes 40 milhões de litros, ou pelo menos sua maioria, correspondem à classificação de artesanais. Estimando em 2/3 de artesanais entre as não sicobadas (0,2%), teríamos só aí 26 milhões de litros.
Entre as sicobadas, o CervBrasil, sindicato que reúne as quatro grandes (Ambev, Petrópolis, Kirin Brasil e Heineken) reivindica participação de 96%. Somando 0,4% de importações e 0,3% de não-sicobadas, concluímos que os 21 estabelecimentos produtores não pertencentes aos grandes grupos corresponderiam, portanto, algo como 3,3% do mercado. Dentro deste percentual, não é exagero supor que as artesanais sicobadas correspondam a pelo menos 0,05%, e as industriais de menor porte, aos 3,25% restantes. Seriam, assim, mais 7,5 milhões de litros, total de 33,5 milhões de litros por ano, ou 0,25% do mercado. Para arredondar, 35 milhões de litros/ano.
Novamente, portanto, existe base para supor que o número da Abrabe esteja subestimado.
Dizem que a produção artesanal brasileira chegará a 2% do mercado até 2020 ou nos próximos dez anos, ou em 20 anos. A meta é esticada, claro, cada vez que se aproxima. Não é à toa. Tem gente que propõe elevações de 15% ou 20% ao ano nos próximos anos, sem citar níveis de produção, e esquecendo que a tendência de qualquer aumento percentual é se reduzir à medida que a base de comparação vai crescendo.
Dois por cento do mercado brasileiro significam nada menos que 260 milhões de litros. Considerando os dados recalculados acima, seria necessário aumentar em mais de seis vezes a produção artesanal atual.
Ou seja, seria necessário que brotassem mais 225 cervejarias artesanais no Brasil, todas capazes de produzir 1 milhão de litros por ano.
Vamos repetir o número, por extenso. Duzentas e vinte e cinco. Duas centenas, duas dezenas e cinco unidades. Seriam mais de 22 por ano, quase duas por mês, ao longo de dez anos. Ou dez por ano, uma por mês, ao longo de duas décadas.
Já imaginou?
Hoje, 18 anos depois do aparecimento das primeiras artesanais da nova geração, como a Dado Bier e a Colorado, quantas com tamanha capacidade existem no país hoje? Alguém sabe apontar?
Difícil, porque elas mesmas não gostam de responder a esta pergunta. Alguns blogs já tentaram e se decepcionaram com a falta de retorno dos questionários. Mas podemos dizer que as talvez dez mais renomadas estão na faixa dos 30-50 mil litros por mês declarados, sendo umas três ou quatro em torno de 100 mil litros por mês. A Krug Bier, possivelmente a maior do Brasil, chega a 200 mil litros por mês.
A Wäls, que afirma produzir 30 mil litros por mês, está investindo para chegar ao patamar de 1 milhão por mês... em 2015. Das demais, talvez a Colorado tenha fôlego para arriscar manobra semelhante. Ela já tem até exportado o produto. As exportações, afinal, são isentas de impostos, o que torna suas cervejas mais competitivas em mercados estrangeiros.
Ok, já são três. E as outras 222? Onde está o incentivo para que isso ocorra?
Seria maravilhoso, mas... qual a probabilidade de acontecer? É plausível, olhando para a situação do país hoje, defender de forma realista que um cenário assim se concretizará sem que mudanças profundamente radicais e extremamente improváveis ocorram na sociedade brasileira e na administração pública no país?
Não vou nem falar da renda do brasileiro, que mesmo com o avanço significativo nas últimas décadas, encontra-se ainda num nível lamentável quando comparada às demais nações cervejeiras tradicionais e mesmo algumas emergentes.
Muito menos abordar os impactos negativos da crise econômica global que já dura cinco anos e ainda não dá sinais de que vá desaparecer. Digo apenas que não são nada animadoras as projeções de entidades como o Federal Reserve (Banco Central dos EUA), Fundo Monetário Internacional (FMI), Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Banco Central Europeu (BCE).
EVOLUÇÃO NOS EUA NÃO É PARÂMETRO
Qualquer comparação do mercado do Brasil com o dos EUA é completamente inadequada. Além do abismo entre os dados econômicos da população dos dois países, lá, houve uma conjunção de fatores que inexiste aqui. E existe, antes de mais nada, um ambiente jurídico e tributário favorável aos empreendimentos privados de pequeno e médio porte que não está presente aqui.
É preciso lembrar que antes da Lei Seca (Emenda Constitucional 18), que entrou em vigor em 1920, a produção americana já era uma das maiores do mundo, disputando com os mercados europeus tradicionais em grandes volume como Alemanha e Inglaterra. Algumas cervejarias maiores sobreviveram diversificando a produção, voltando-a para as bebidas não alcoólicas.
Em 1933, quando foi repelida pela Emenda Constitucional 21, as empresas puderam retomar os negócios, mas estavam em meio à Grande Depressão e o plano do secretário de Estado dos EUA, George Marshall, para reanimar a economia. E a crise econômica, como vemos agora, não é boa para o mercado cervejeiro. A cerveja, afinal, é para muitos um produto supérfluo.
Veio ainda por cima a Segunda Guerra Mundial, que fez a produção cair, na medida em que commodities importantes como trigo e cevada precisavam ser direcionados plenamente para o mercado de alimentos. As décadas seguintes foram também marcadas por conflitos, como as guerras da Coreia e do Vietnam, que também tiveram seus impactos.
Em 14 de outubro de 1978, o presidente Jimmy Carter sancionou a lei 1337, conhecida como Homebrewing Act, que permitia a produção caseira, que não permitia sua venda, mas autorizava o uso em atividades como feiras, degustações, julgamentos (campeonatos), etc. Foi o que fermentou o avanço da chamada cultura cervejeira, por meio de expoentes do "homebrewing", como Charlie Papazian. Mais ou menos uma década depois de entrar em vigor a lei, começaram a pipocar as artesanais.
VÁCUO LEGISLATIVO LIMITA MERCADO BRASILEIRO
O Brasil não tem uma lei que regulamente a produção caseira e a questão das feiras e dos campeonatos. Não à toa, tais eventos vem sendo constantemente ameaçados pela ação de fiscalização do governo. Não possui, tampouco, lei estabelecendo tratamento diferenciado para a produção artesanal comercial de pequena e média escalas. Não existem sequer os anteprojetos.
A mudança da regulamentação da produção cervejeira que o MAPA pretende propor ao Mercosul, que deve demorar pelo menos uns dois anos para entrar em vigor, regulariza o uso de certos aditivos como flores, mel, chocolate. Na prática, limita-se a abrir a possibilidade de as cervejarias brasileiras competirem em condições de menor desigualdade com as artesanais importadas, principalmente as europeias e americanas. Não terá qualquer influência na questão tributária.
O pleito de algumas artesanais - reunidas na Carta de Blumenau, lançada no Festival Brasileiro da Cerveja do ano passado - é a inclusão do segmento no Simples. O sistema, no entanto, tem a limitação de faturamento. Só pode beneficiar empresas que faturem até R$ 3,6 milhões por ano. Desta forma, uma empresa que produza 100 mil litros por ano e os venda, na porta da fábrica, a R$ 5, já se encontra além do enquadramento na facilidade fiscal.
Mesmo assim, os sinais não são favoráveis. O ministro-chefe da Secretaria Especial da Pequena e Média Empresa, Afif Domingos, tem insistido na necessidade de incluir mais setores no sistema simplificado de tributação, mas o governo não dá sinais de que pode atender à reivindicação.
Pesa sobre o setor cervejeiro, ainda o ônus de ser um setor com um "custo social" elevado, devido aos problemas de saúde associados ao abuso de álcool. Sem contar a patrulha religiosa contra a bebida, que deve se fortalecer juntamente com os movimentos neopentecostais, como já vemos acontecer.
Aos que estão vendendo - "no limite da irresponsabilidade", como diria um certo ex-diretor de banco de investimento - um futuro de bonança absoluta para o mercado cervejeiro artesanal, resta aconselhar que guardem os óculos com lentes cor de rosa antes de olhar para o mercado.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Top 5 - As cervejas brasileiras de 'elite' nos rankings internacionais
Cruzando os dados destes três rankings, chegamos a uma "elite" das cervas nacionais. São os cinco rótulos que aparecem entre as 20 brasileiras com as melhores avaliações em todos os fóruns.
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| OBS: Dados coletados em 11/07/2013 |
Não à toa, quatro das cinco cervejas pertencem ao que podemos classificar, ainda que paradoxalmente, como "grandes micros": a catarinense Eisenbahn (propriedade da gigante Kirin Brasil), a mineira Wäls e a paulista Colorado. A paranaense Bodebrown, bem menor, completa a lista.
O destaque é a veterana Colorado, de Ribeirão Preto. Além de figurar com duas cervejas entre as "unânimes" nos três rankings, tem, na média, a cerveja mais bem colocada, a Ithaca.
Em seguida, vêm a Wäls Petroleum, que assim como a Ithaca é representante do estilo Russian Imperial Stout. Na sequência Vixnu, Lust e Perigosa.
É importante observar que, por se tratar de rankings internacionais, cervejas que já estão sendo exportadas há bastante tempo levam vantagens, como Eisenbanh e Baden Baden, e provavelmente por isto figuram com vários estilos nestes rankings.
Por serem alimentados diariamente com a opinião dos bebedores, esses rankings possuem uma boa dose de volatilidade. Menos de três dias depois de lançarmos o post sobre as "dez mais" no Untappd, as posições das cervejas no topo mudaram bastante. Por isso, se entrar num desses rankings e estiver tudo diferente, não se assuste. É assim mesmo.
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7/17/2013 10:00:00 AM
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terça-feira, 9 de julho de 2013
Top 10 das cervejas brasileiras no Untappd
Entre elas, apenas cinco estilos diferentes (sendo que três são variações da clássica India Pale Ale), o que nos mostra uma tendência clara do mercado brasileiro: Imperial Black IPA, Black IPA, American IPA, American Brown Ale e Russian Imperial Stout (RIS). Eis o ranking:
A presença das IPA não nos surpreendeu, mas foi interessante verificar a entrada das RIS. Isto pode apontar uma mudança importante. As IPAs parecem estar chegando - se é que não chegaram - ao seu ápice. Por mais que haja um marketing forte em torno das cervejas extremamente amargas, pelo menos um ligeiro declínio nessa predominância é inevitável (e saudável para o mercado)
Entre as cervejarias, destaque para a gaúcha Seasons, do craque Leonardo Sewald, que está com três cervejas no ranking. A paranaense Bodebrown, dos criativos irmãos Samuel e Paulo Cavalcanti, marca presença com duas cervejas.
Metade das cerveja tiveram menos de 100 avaliações e a outra metade, mais de 100. A Wals Petroleum, que tem o maior número de avaliações (728) entre as brasileiras neste Top 10, figura em quarto lugar. Outra RIS, a Bigfoot (25) da Seasons, aparece em sexto. A diferença entre a primeira colocada e a última, como podemos ver, foi bem pequena, de 0,30.
Para aprofundar a análise (pois é, temos essa mania), resolvemos investigar os estilos que aparecem na listagem. A American IPA é o estilo com maior número de cervejas brasileiras, passando dos 10, enquanto os outros estilos ficaram entre 4 e 5 cervejas. Também o com o maior número de avaliações. A campeã é a Colorado Indica, com quase 1,3 mil.
A categoria Imperial IPA, com poucos representantes, teve diferença de 0,40 pontos.
A Russian Imperial Stout é o estilo com menor discrepância entre notas, variação de apenas 0,18 pontos.
Já na categoria American Brown Ale, a distância entre a melhor e a pior avaliação foi gande: 1,5 ponto.
Por fim, juntamos as classificadas como Imperial/Double Black IPA e as Black IPA/Cascadian Dark Ale, quem têm o menor número de avaliações.
Queremos deixar claro que não consideramos, e que não se deve considerar, que a posição de uma cerveja reflita uma superioridade em relação a outra, em termos de qualidade. As notas do Untappd refletem, acima de tudo, as preferências dos bebedores. Como sabemos, cada um tem o seu gosto. Além disso, existe ainda a relação nota/numero de avaliações, que pode causar distorções.
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Unknown
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7/09/2013 01:18:00 PM
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Do que se trata
American Brown Ale,
Black IPA,
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Colorado,
imperial IPA,
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Leonardo Sewald,
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Russian Imperial Stout,
Samuel Cavalcanti,
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Untappd,
Wäls
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Wäls quer aumentar produção em 30 vezes com nova fábrica, que fica pronta em 2015
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| José Felipe Carneiro discursa, na assinatura do acordo. Foto: Prefeitura de Araxá |
Anunciada no último dia 10 de junho, a nova fábrica da mineiríssima Wäls na cidade histórica de Araxá (MG) deverá ficar pronta no primeiro semestre de 2015, revela o mestre cervejeiro José Felipe Carneiro, em entrevista ao 700 Cervejas. O investimento é estimado, inicialmente, em R$ 20 milhões. Apostando forte na expansão do setor de cervejas, a Wäls pretende produzir na nova unidade, de 22 mil metros quadrados, até 1 milhão de litros por mês – mais de 30 vezes a produção atual, de 30 mil litros por mês. Não existem estatísticas precisas sobre a produção das cervejarias artesanais brasileiras – já que, segundo os próprios órgãos públicos responsáveis pela fiscalização do setor, não há discriminação da forma de produção, se industrial ou artesanal –, mas o volume anual de 12 milhões de litros certamente colocará a Wäls como a "maior microcervejaria" do país.
— As obras começam agora no segundo semestre (possivelmente em julho, segundo o Diário de Araxá). Elas devem se prolongar por um ano e meio — explica José Felipe, responsável pela produção de delícias de inspiração tradicionalista como a dubbel, a tripel e a quadrupel, e de produtos mais ousados como as recentes 42 e Saison de Caipira, que têm por base o estilo farmhouse.
O investimento será bancado em parte pelo caixa da empresa, e parte por um financiamento do Banco de Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais (BDMG). José Felipe não detalha os valores, mas, segundo o site da instituição, os financiamentos para capital de giro e expansão dos negócios de micro e pequenas empresas, com faturamento de até R$ 30 milhões por ano, tem limite de R$ 4 milhões. Podem ser usados para "compra de matéria prima, reformas, capital de giro, obras civis, veículos", com taxas de juros a partir de 0,85% ao mês, prazo de carência e até quatro anos para pagar.
Na escolha da cidade, pesaram não só argumentos econômicos, mas também sentimentais:
— Os fatores determinantes (para a escolha) foram o alto potencial econômico da cidade, o valor turístico de alta relevância em Minas Gerais, e o fato de nossa família ser de Araxá — diz.
— Essa vinda para Araxá, pessoalmente, é um presente muito grande para a minha alma, depois de estar fora por 40 anos e poder retornar com a nossa expertise junto com a cervejaria e para participar da Cidade Gastronômica. Nós tivemos diversos convites de cidades tradicionalmente conhecidas em cervejaria, mas a nossa alma está aqui — disse o pai de José Felipe, Miguel, ao semanário local Clarim.
José Felipe conta que começou a negociar o empreendimento com a prefeitura, administrada pelo médico Jeová Moreira da Costa, conhecido como Dr. Jeová (PDT), em 2012. No mês passado, ele assinou o protocolo de intenções com a prefeitura para inclusão da cervejaria no projeto da Cidade Gastronômica, que até então contava o Clube da Cozinha Araxaense. Dr. Jeová contou ao jornal local que se interessou pela ideia de incluir uma cervejaria durante uma viagem a Campos do Jordão em 2010. Ficou maravilhado em ver a cervejaria local (Baden Baden) como atraía visitantes.
A intenção do prefeito, obviamente, é revitalizar a atividade econômica da cidade e aumentar a presença dos turistas, que trazem... sim, dinheiro, aquecem a economia local, em tempos bicudos como os que vivemos. A cidade, de cerca de 100 mil habitantes, fica no Sudoeste de Minas Gerais, na área do Triângulo Mineiro-Alto Parnaíba. É conhecida pelo artesanato e pelas águas medicinais da estância hidromineral. Sua economia, na parte industrial, é dominada pela produção de fosfatados (fertilizantes) da Vale, e pela mina de nióbio – o metal preferido do saudoso Dr. Enéas – explorada pela Companhia Brasileira de Mineração e Metalurgia (CBMM). Um charme gastronômico não cai nada mal.
Também sem entrar em detalhes, José Felipe diz que a maior escala deverá trazer reflexos positivos para o custo dos produtos aos consumidores.
— A intenção é ter condições melhores de preços para o consumidor final, com a mesma qualidade de sempre.
Quanto a intenções futuras de aceitar sócios ou de vender a cervejaria, é enfaticamente vago:
— A família (Pedras Carneiro) pretende continuar sendo a única proprietária da cervejaria.
ANÁLISE: MOMENTO DECISIVO
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Todo investimento tem seus riscos. Todo mundo que já comprou algo parcelado sabe o quanto ter prestações a pagar adiciona tensão a um investimento. E R$ 20 milhões não são R$ 20, nem R$ 200. São dez zeros. É zero pra cacete, e por mais que se tenha segurança na qualidade do produto, exige uma dose grande de coragem. Quem não arrisca... não é o que diz o ditado?
Depois de encontrar as primeiras garrafas no Empório Icaraí, em abril de 2011, e me impressionar com o resultado das degustações, passei a acompanhar a trajetória da Wäls Em agosto, tive a oportunidade de bater papo com o irmão de José Felipe, Tiago, no estande da empresa no Beer Experience, em São Paulo. Chamou a atenção o carinho com que ele falava do processo de produção, e com a atenção aos tempos adequados para cada etapa.
A Wäls tem produtos de qualidade para que tudo dê certo. De toda a sua linha, é difícil pensar em uma que não tenha sido premiada em concursos. Além do "trio parada dura" – dubbel, tripel e quadrupel –, a Witte, witbier, se destaca, juntamente com a pilsen e a champenoise Brut. Ao que tudo indica, animada com a ampla aceitação e o reconhecimento de suas criações, a cervejaria partiu para o tudo ou nada. Se tudo der certo, a cervejaria transforma o reconhecimento qualitativo em quantitativo. Pode torná-la algo semelhante ao fenômeno da Devassa, em seu início. Não custa lembrar, é de uma família do ramo de bares e lanchonetes, e possui um bar, o Stadt Jever. Se não de certo, o "pretende" da última frase deixa uma saudável porta aberta...
Para dar o salto com segurança e chegar do outro lado, marketing e a publicidade carecem de atenção. O slogan é marrento, como se diz aqui no Rio, mas como suas cervejas têm angariado prêmios e toneladas de elogios, a autoconfiança é saudável. Tiveram a boa ideia de homenagear a resposta do humorista britânico Douglas Adams para a resposta fundamental da humanidade e criar a 42, mas patinaram na escolha do estilo, saison/farmhouse. A cerveja, que leva uma combinação bastante inusitada de adjuntos (limão e café), ficou excelente. Mas a cervejaria podia ter explorado de fato o rico universo do Guia do Mochileiro das Galáxias – da mesma maneira que diversas cervejarias americanas vêm baseando suas criações na cultura literária, televisiva e cinematográfica – e trabalhado mais a fundo o conceito. É o que as cervejarias americanas, principalmente, têm feito com a cultura contemporânea.
Atrair Garrett Oliver para uma produção colaborativa foi uma conquista significativa. O "embaixador cervejeiro" da Brooklyn Brewery havia comentado, em entrevista ao 700Cervejas em abril do ano passado, que queria provar "cervejas com gosto de Brasil" e mencionou a cana de açúcar como possibilidade. Um mês depois, a red ale Uacari, da Cervejaria Nacional, de São Paulo, apareceu no Untappd. Em novembro, Garrett foi cortar cana, numa típica mas emocionante "photo-op" muito bem aproveitada na brassagem, transformada em evento. Mas a Saison de Caipira tem aparecido nos noticiários não especializados – e até em alguns especializados – como a primeira no Brasil a usar cana de açúcar na receita.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Festival Brasileiro da Cerveja - O retorno da Petroleum original, finalmente tomamos Providência e algumas cositas más
Nosso fiel público sabe, e os novos leitores acabam se acostumando, com o nosso ritmo nada frenético de postagens. Tardamos, mas não falhamos.
Agora que vocês já leram bastante sobre o que rolou de bacana no Festival Brasileiro da Cerveja com os posts dos colegas do Bebendo Bem, Eu Bebo Sim, Homini Lupulo, O Contador de Cervejas e o nosso anfitrião, o Clube de Cervejas Eisenkreuz, eis algumas coisas interessantes que trouxemos na bagagem.
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| Banner na entrada do Festival, na Vila Germânica, em Blumenau: bela lista de apoiadores |
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Marcio Beck
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4/11/2013 09:00:00 AM
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Do que se trata
BBC,
Bodebrown,
Dalla,
DUM,
Gauden Bier,
Luiz Felipe Araújo,
Morada Etílica,
Murilo Foltran,
Providência,
Rodrigo Chervinski,
Ronaldo Flor,
Samuel Cavalcanti,
Taberna do Vale,
Wäls
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
1ª Beer Experience, parte 3 -
Mineira com sotaque de gringa, sô!
A primeira vez que vi uma Wäls, me chamou a atenção a garrafa em formato de mini-champanhe (330 ml, creio), em vidro verde, com rolha. Do rótulo classudo com a logomarca e a tipologia feitas para remeter aos brasões europeus, aparentemente, duas informações queimaram as minhas retinas: era uma quadruppel, e feita por uma cervejaria mineira.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Missão cumprida! O que rolou
na 1ª Beer Experience em SP
Voltando da Terra da Garoa (ô frio desgraçado que faz naquele lugar), onde fui participar, como antecipei aqui, da 1ª Beer Experience.
O que se viu no Centro de Convenções Frei Caneca foram mais de 20 expositores com cerca de 120 rótulos de cerveja, com lançamentos das cervejarias nacionais, cervejas importadas com preços até 50% menores do que os praticados em geral nos estabelecimentos que conheço no Rio de Janeiro. Resumindo: quem compareceu, pode beber bem e relativamente barato.
Fermentado por
Marcio Beck
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8/22/2011 05:38:00 AM
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Do que se trata
André Cancegliero,
Beer Experience,
Have a nice beer,
Pedro Meneghetti,
Rafael Borges,
Reynaldo Fogagnoli,
Rodrigo Szeltzer,
Tiago Carneiro,
Velhas Virgens,
Wäls
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Missão dada: Beer Experience em SP
Vai rolar o 1º Beer Experience - Festival de Degustação de Cervejas Artesanais Nacionais e Importadas, evento idealizado e organizado pelo empresário e sommelier de cervejas André Cancegliero, junto com o técnico cervejeiro Alan Gregor Sene, professor de cervejas artesanais do curso Brewing Pride. A expectativa é de cerca de 5 mil visitantes.
Fermentado por
Marcio Beck
Em
8/15/2011 05:02:00 PM
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Do que se trata
Alan Gregor Sene,
Amazon Beer,
André Cancegliero,
Backer,
Baladin,
Beer Experience,
Bernard,
Brew Dog,
Brooklyn,
Colorado,
Dama Bier,
Falke,
Urbana,
Wäls
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