sexta-feira, 17 de maio de 2013

DOSSIÊ ESPECIAL: Por que as cervejas são tão caras no Brasil? - Parte 1: A logística

Série de reportagens do 700 Cervejas vai investigar o real peso do Custo Brasil na cerveja. Foto: 123RF

A logística ruim, um dos muitos componentes do chamado "Custo Brasil", segundo cervejeiros artesanais e importadores de cervejas, é um dos principais vilões responsáveis dos preços elevados dos produtos. Mas ... quão ruim é a logística do Brasil, em comparação com a de outros países? Como se mede isso? Como isso afeta os preços? O que pode ser feito para mudar isso?

Em parceria com O Contador de Cervejas, A Volta do Mundo em 700 Cervejas está embarcando em uma investigação profunda sobre os fatores que afetam os custos do mercado cervejeiro nacional. Nesse primeiro capítulo, começamos pela logística.

Responder a essas perguntas exige, no mínimo, uma fonte internacional respeitável e que tenha estudado o problema de forma específica. O Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, organismo criado no fim da Segunda Guerra Mundial para ajudar a reerguer a economia mundial e hoje mais conhecido apenas como Banco Mundial, preenche estes dois difíceis requisitos.

Em abril do ano passado, o Banco Mundial lançou a 39ª edição de sua publicação especializada em transportes, com o sugestivo título de "Como diminuir os custos de logística no Brasil" (no original, How to Decrease Freight Logistics Costs in Brazil). O estudo, de 176 páginas, enfocou a via marítima, deixando o transporte aéreo para outras edições específicas. Os navios, afinal, respondem pela maior parte do comércio exterior em todo o mundo. Mas o Brasil é uma das exceções.

Na análise comparativa da cadeia logística, o órgão adota quatro parâmetros: o Índice de Desempenho Logístico (Logistics Performance Index, LPI), Índice Fazendo Negócios (Doing Business), o Relatório Global de Viabilidade Comercial (Enabling Business) do Fórum Mundial, e os custos de logística como porcentagem do PIB. Neste primeiro texto de uma série sobre os problemas que limitam o crescimento do mercado cervejeiro brasileiro, vamos falar do primeiro deles, o LPI.

Antes, uma pergunta básica. O que diabos envolve a logística? Eles respondem, ainda que de forma vaga:
Logística pode ser compreendida como o processo de planejar, implementar e controlar o eficiente fluxo e armazenamento de materiais brutos, inventório em processamento, bens manufaturados e informações relacionadas desde o ponto de origem ao ponto de consumação para o propósito de atender aos requerimentos do cliente.
O LPI é um número, em uma escala de 1 a 5, que resulta de um cruzamento de informações de "operadores profissionais e usuários envolvidos no mercado mundial do setor de logística". Para o desenvolvimento do LPI, lançado em um estudo de 2010 do Banco Mundial, foram feitas 5 mil entrevistas, que avaliaram seis áreas de desempenho: procedimentos de alfândega; qualidade de infraestrutura relativa ao transporte; facilidade e acessibilidade de carregamentos internacionais; competência e qualidade da indústria logística local; rastreamento; e linhas do tempo até alcançar a destinação.

No ranking do LPI, o Brasil ficou na 41ª colocação, de um total de 155. Considerando que somos a sexta economia do mundo, não parece bom. Mas não basta olhar o número absoluto na lista. Devido ao seu tamanho e estágio de desenvolvimento econômico, o Brasil é um país difícil de comparar. Pode-se fazer isso, basicamente, de duas formas, geograficamente e economicamente. Melhor, portanto, usar as duas.

Regionalmente, o país está dentro da média em quase todos os quesitos. De acordo com o Banco Mundial,
(...) para o Brasil, o desempenho da alfândega (incluindo serviço fitossanitário) e carregamentos internacionais são percebidos como um problema mais do que infraestrutura, competência logística, rastreamento ou linhas do tempo. (...) O Brasil desempenha de acordo com os indicadores regionais da América Latina e do Caribe".
Recentemente, economistas identificaram um grupo de países com algumas características fundamentais bem semelhantes. Para batizá-lo, pegaram a inicial de cada país e criaram uma sigla: Brasil, Rússia, Índia e China, BRIC. Junto com alguns outros países, nem todos tão gigantescos, passaram a ser conhecidos como "economias emergentes", "mercados emergentes", "países emergentes".
Para os indicadores restantes, o Brasil pode ser considerado em linha com suas referências internacionais, como Índia e China. Se a Federação Russa for incluída na comparação, como geralmente é feito quando comparando países emergentes chave (conhecidos como BRICs), somente a Rússia fica atrás do Brasil em termos de desempenho.
Confira os dados por país:

ÍNDICE DE DESEMPENHO LOGÍSTICO (LPI) 2010

Canadá                3.87
EUA                   3.86
Austrália             3.84
Nova Zelândia         3.65
China                 3.49
Brasil                3.2
Índia                 3.12
Argentina             3.1
Chile                 3.09
México                3.05
Federação Russa       2.61

Fonte: Banco Mundial


CENAS DO PRÓXIMO POST: Quanto custa em média, em temos de serviços portu um contêiner no Brasil e nos demais países? Quanto tempo demora a liberação de uma carga?

quinta-feira, 16 de maio de 2013

DUM anuncia oficialmente nova produção da Petroleum, como havíamos antecipado

Cervejeiros da DUM e da Curitiba se uniram para criar nova versão da Petroleum. Foto: Divulgação/DUM

Quem acompanha o nosso blog já sabia, pelo nosso relato do que rolou no Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau, que a paranaense DUM fechou com os conterrâneos da Cervejaria Curitiba – que nós chamamos, erroneamente, de Gauden Bier, que é apenas um dos "selos" da fábrica – a produção de uma nova versão da consagrada imperial stout Petroleum.

Assim que lançamos o post, o pessoal da DUM confirmou a informação, e deu mais alguns detalhes do que estava sendo pensado. Hoje, eles fizeram um anúncio oficial, em comunicado lançado no site da cervejaria.

Veja aqui a íntegra do comunicado:


A DUM cervejaria vem por meio deste comunicado oficial, informar com imensa alegria, que o período de espera está acabando.

Hoje, 16/05/2013, começamos a produzir nossas cervejas na Cervejaria Curitiba, no tradicional bairro de Santa Felicidade, em Curitiba. Várias boas cervejas já são produzidas lá como: Gauden, Morada, Pagan, The Beers, dentre outras. É uma honra para nós, utilizar esses tanques também.

Nossas garrafas de Petroleum serão long necks de 355 ml com tampas twist-off (de rosca). A Wäls continuará a produzir sua versão da Petroleum, tal como acontece hoje. A versão da Wäls representa com maestria o espírito da Petroleum. Já com o primeiro lote, ganhou uma medalha de ouro no South Beer Cup.

Seremos eternamente gratos pela oportunidade que nos deram. Eles acreditaram na nossa cerveja, como muitos de vocês que nos mandam email e mensagens no facebook toda semana.

Sendo assim, estamos viabilizando a melhor forma para que a DUM Petroleum possa chegar até vocês em todo o território nacional, internacional, quiçá todos os planetas e o fundo do mar!

O lançamento será durante a festa do nosso terceiro aniversário, também conhecido como DUMDAY III no dia 20/07, dia do amigo.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Inaugurada a Malte & Cia, 1ª loja física de insumos cervejeiros do Rio de Janeiro


Sacas de Briess na Malte & Cia: loja de insumos trouxe 15t de matéria-prima. Foto: Daniel Conde Perez    

A espera foi grande, mas finalmente os cervejeiros caseiros cariocas poderão ter o prazer de ir às compras no mercado, literalmente! Anunciada em outubro do ano passado, a Malte & Cia, no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio, foi inaugurada no sábado (11/5).

A loja passou por diversos problemas antes de entrar em operação, desde o registro da empresa demoras e dificuldades no processo de importação dos maltes. Segundo Rafael Oliveira, um dos sócios do empreendimento, a importação dos lúpulos foi bem mais fácil.

Por sermos uma empresa nova, tudo é difícil, até pra termos a aprovação de contrato de câmbio para pagar a primeira importação foi demorado. Não vamos repassar os custos extras, pois esperamos que as próximas importações sejam menos problemáticas.
Fazer compras em uma loja de insumos é uma experiência nova e muito interessante. Acostumado com as compras virtuais, nas quais só podemos ler as descrições dos produtos e conhecê-los testando ou pedindo referências, poder usar os sentidos faz a diferença. Olhar os maltes, cheirá-los, até comer alguns grãozinhos para sentir seu sabor, é sensacional. Só é uma pena que o lúpulo tenha de ficar armazenado no freezer.
Trouxemos 15 tonelas de maltes da Briess e 400kg de lúpulos americanos. Tendo boa aceitação queremos dobrar a quantidade de maltes e estamos em negociação para trazer a nova safra de lúpulos australianos.
O sócio Rafael Oliveira. Foto: Daniel Conde Perez  
Quinze toneladas de 31 variedades de malte foram trazidas na primeira importação. A Malte & Cia é a única importadora do malte Briess no Brasil. Para a próxima carga, ainda sem previsão, serão trazidos os  maltes de centeio e maltes orgânicos, e também extratos de malte.

Outra vantagem para os cervejeiros é a de não precisar mais fazer estoques. Se antes tínhamos que comprar em quantidade ou em conjunto para reduzir os custos do transporte, agora podemos comprar só o necessário – se o olho grande permitir, e evitar as pequenas sobras e principalmente os carunchos.

As variedades e lúpulo não são muitas, mas foram 400 quilos importados de variedades americana e eslovena, todos da safra 2012. Lúpulos australianos estão em negociação, mas ainda não têm data para chegar.

Em parceria com o Lamas, loja de insumos cervejeiros de São Paulo, os sócios da Malte & Cia vão trazer os fermentos líquidos da White Labs e da Wyeast. Na loja, por enquanto, só Fermentis (seco) e Bio4 (líquido).

A loja fica dentro de uma galeria e tem um espaço considerável. O design será rústico e já conta com caixotes de madeira aparentemente envelhecidos. A mesa da recepção é feita com esses caixotes e os maltes são expostos em pequenos potes de vidro.

As compras online serão disponibilizadas em breve e as entregas serão para todo o Brasil, via correios ou transportadora.

SERVIÇO
Endereço: Rua Barão de Mesquita, 663 - Lj 19
Tijuca - Rio de Janeiro - RJ
Telefone: (21) 3228-5832
Email: info@malteecia.com.br

Horário de funcionamento:
Seg. à Sex. de 10:00 às 19:00
Sábado: de 09:00 às 14:00

sexta-feira, 10 de maio de 2013

EUA, a nação da cerveja de panela: todos os 50 estados legalizaram produção caseira



A partir de 1º de julho, todos os 50 estados dos EUA terão produção caseira de cervejas legalizada pela primeira vez desde o fim da Lei Seca, em 1933. A informação foi divulgada nesta sexta-feira pela American Homebrewers Association (AHA).

Com a assinatura da lei HB9 pelo governador do Alabama, Robert Bentley, nesta quinta-feira (9/5/13), não falta mais nenhum estado a regulamentar a produção "na panela". Mas a lei assinada em 19 de março pelo governador do Mississippi, Phil Bryant, só entrará em vigor daqui a um mês e meio.

A AHA passou cinco anos batalhando no Alabama junto com o grupo Right To Brew para conseguir a legalização.

"O homebrewing tem sido uma parte integral da história da América, por isso é emocionante saber que em breve, todos os 50 estados irão apoiar esse crescente hobby e longa tradição." disse Gary Vidro, diretor da AHA, em comunicado postado no site da entidade. "Agradecemos o apoio de todos os cervejeiros caseiros, os esforços dedicados da Right to Brew e os legisladores que trabalharam tão diligentemente para fazer do homebrewing uma realidade no Alabama. Somos gratos ao representante Mac McCutcheon, que apresentou este projeto e lutou pela sua dificil passagem, juntamente com o senador Bill Holtzclaw".

Após a Proibição (Lei Seca), o homebrewing não era legalizado até que o presidente democrata Jimmy Carter assinou a lei HR 1337 em 14 de outubro de 1978. A lei entrou oficialmente em vigor em 1º de fevereiro de 1979. Pouco depois, a AHA foi formada por Charlie Papazian e Charlie Matzen para promover e celebrar a fabricação caseira. Desde então, a AHA tem liderado a defesa dos direitos dos cervejeiros caseiros e apoiado os esforços legislativos das comunidades de cervejeiros locais.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

EXCLUSIVO: Diferença de preços nas cervejas importadas em Niterói pode chegar a 75%

A Delicatella Delicatessen é o bar de Niterói com os preços mais baixos para as cervejas importadas, e o Cervisia 1516, o bar com os preços mais elevados, segundo estudo comparativo feito por A Volta ao Mundo em 700 Cervejas. Foram levados em consideração os valores de 18 rótulos vendidos nos sete principais estabelecimentos especializados da cidade. Veja a tabela completa:


A Delicatella teve 13 cervejas classificadas como mais baratas entre as que são encontradas em todas as cartas de cervejas, e apenas uma mais cara. Já o Cervisia 1516 teve 9 entre as mais caras e apenas uma mais barata.

A maior diferença, em termos absolutos, encontrada em um rótulo foi de R$ 54 (28%) na DeuS Brut des Flandres, da Bosteels. Enquanto no Armazém São Jorge e na Delicatella a garrafa da cerveja champenoise mais famosa do mundo custa R$ 195, no Empório Icaraí ela sai por R$ 249.

Em termos percentuais, a deliciosa trapista Rochefort 8 alcançou estratosféricos 74% (quase o dobro do preço), sendo encontrada a R$ 19,90 na Delicatella e a R$ 34,90 no Empório Carlsson - diferença de R$ 14,70. Efeito semelhante ocorreu na Rochefort 10, que sai por R$ 26,50 na Delicatella e R$ 43,30 no Empório Carlsson - diferença de R$ 16,80, ou 63%.

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Atualização em 25/4/2013
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O proprietário do Empório Carlsson, Alexandre Carlsson, alegou (veja nos comentários) que o preço da Rochefort 10 não é o indicado na pesquisa e que teria havido um "erro" no cardápio. Ontem, quando o post foi lançado, uma funcionária explicou que os preços haviam sido mudados em fevereiro, após clientes terem reclamado da diferença de preços entre as Rochefort.

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Já a menor diferença, tanto em valor absoluto quanto em percentual foi da tradicional weissbier Weihenstephaner Hefeweiss, que variou apenas R$ 1,90 (8%) da mais barata - a R$ 24, no Carlsson - para as mais caras - R$ 25,90 no Cervesia 1516 e na Delicatella.

A pilsner tcheca 1795 teve uma situação curiosa: um triplo empate entre as mais caras (R$ 18,90 no Cervisia 1516, Empório Camboinhas e Granel). A mais barata foi no Empório Carlsson, por R$ 15,30.

A coleta dos dados foi feita ao longo do mês de abril. O espaço dos comentários do blog fica aberto, obviamente, para quaisquer explicações que os proprietários pelos estabelecimentos queiram oferecer sobre as discrepâncias.

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ATUALIZAÇÃO EM 1/5/2013

Instigado pelo post, um de nossos leitores propôs um outro exercício bastante interesssante com os números. Ele sugeriu calcularmos quanto custaria, e quais seriam as diferenças, se um cliente ou grupo de clientes fosse beber as cervejas da análise. Os resultados estão no gráfico abaixo, confiram:



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Nosso objetivo é estender este nosso estudo comparativo aos principais bares do país. Você é dono de bar especializado em cerveja? Então, envie sua carta de cervejas completa e faça parte do levantamento. É cliente assíduo de algum bar com preços melhores - ou piores - do que viu no post? Tire fotos da carta de cerveja inteira e mande para nós para que os valores sejam incluídos.


sexta-feira, 12 de abril de 2013

Beertone: lançamento oficial e prêmio de design na Itália

Recebemos em primeira mão a notícia de que os criadores da Beertone vão iniciar o despacho para aqueles que fizeram reserva no site, a partir do dia 15 de abril. Portanto, se você fez sua reserva, pode ir preparando os olhos pois eles irão se deliciar com o belo visual desse produto que vem gerando um buzz legal pelos blogs especializados em cerveja (como o nosso, claro).

Segundo Alexander Michelbach, a Beertone agora é realidade. E mais: junto com o seu lançamento, levou o prêmio A´Design (A´Design Awards) na categoria Idea Design (Algo como "Design Inventivo"), prova de que a iniciativa era muito mais do que necessária, tanto para o mundo cervejeiro quanto para o do design.


Agora é fazer a sua encomenda e esperar pelas edições Alemã, Brasileira e outras que certamente virão.